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Talento de José Eduardo Agualusa reconhecido

Escritor angolano venceu prémio literário internacional de Dublin com o romance Teoria Geral do Esquecimento.

Somos um povo de relatores de afectos, dados à palavra, à escrita, às histórias, às pessoas. A língua portuguesa deu ao mundo Camões e Eça, Bocage e Garret, Castelo-Branco e Herculano, Dinis e Quental, Pessoa, Sophia e Saramago. Epopeias, contos, prosa, sonetos, ensaios, peças e provérbios.

Viajámos por mares "nunca dantes navegados", de barca para o Inferno, pela "minha" nossa terra, entramos em "desassossego", ouvimos "Sermões" mas amámos "assim, perdidamente", porque não sabemos outra forma de o fazer. Somos muitos e... bons no que fazemos. Tanto que fomos novamente reconhecidos.

Desta vez através de José Eduardo Agualusa, o mais recente vencedor do International Dublin Literary Award (prémio literário internacional de Dublin), com o seu romance Teoria Geral do Esquecimento. A obra (que já tinha sido finalista do Man Booker Internacional em 2016) suplantou uma forte concorrência, da qual faziam parte títulos do moçambicano Mia Couto, do turco Orhan Pamuk, do vietnamita Viet Thanh Nguyen e da irlandesa Anne Enright.

Este é maior prémio do género para uma obra de ficção publicada em Inglês. Com o valor monetário de 100 mil euros, a distinção é única na sua cobertura e alcance, pois todos os candidatos a este prémio são nomeados por bibliotecas públicas selecionadas em todo o mundo. Este ano, bibliotecas da Áustria, Bélgica, Brasil, Croácia, Dinamarca, Alemanha, Grécia, Irlanda, Polónia, Portugal, Rússia, Escócia, Suécia e Estados Unidos da América, participaram na seleção inicial, assim como na votação da shortlist de 10 títulos, celebrando a excelência da literatura contemporânea.

Desde 1996 o International Dublin Literary Award já distinguiu autores como Orhan Pamuk (My Name is Red - 2003), Javier Marías (A Heart So White - 1997), Michel Houellebecq (Atomised - 2002), Colm Tóibin (The Master - 2006), Colum McCann (Let the Great World Spin - 2011), Jim Crace (Harvest - 2015) ou David Maalouf (Remembering Babylon - 1996) e Herta Müller (The Land of Green Plums - 1998). Ao longo das suas 21 edições, esta é a nona vez que o vencedor é um livro traduzido, e a primeira que elege um livro originalmente escrito em português.

Este ano, a honra coube ao escritor angolano amante "do mar e de um céu em fogo ao fim da tarde", que junta mais um laurel à sua coleção de prestigiados prémios nacionais e estrangeiros, nos quais se destacam o Grande Prémio de Literatura RTP (atribuído a Nação Crioula, 1998), o Grande Prémio de Conto da APE, Ordem do Mérito Cultural e o Grande Prémio de Literatura para Crianças da Fundação Calouste Gulbenkian, ou o Independent Foreign Fiction Prize (para O Vendedor de Passados, 2004).

"Escrever me diverte, e escrevo também, porque quero saber como termina o poema, o conto ou o romance. E ainda porque a escrita transforma o mundo. Ninguém acredita nisto e no entanto é verdade."

Pedro Duarte

Se o nosso cantinho à beira-mar plantado é popularmente descrito como o país dos três "efes" [Fado, Futebol e Fátima], já eu posso ser definido como alguém que tem três grandes (ENORMES!) paixões igualmente iniciadas pela sexta letra do abecedário: Família, Futebol e Filmes.

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